Antes de estar mais embrenhado no mundo tecnológico, há demasiados anos talvez, fui também um fotógrafo e um amante da fotografia. Fotografava com rolos de 35mm bobinados por mim, sendo cada bocadinho de filme aproveitado até ao último fotograma. O som do disparo da minha Canon AE-1 era mágico, espoletando para além do obturador um conjunto de emoções que ficavam eternamente ligados à imagem. As referências eram então nomes como Cartier-Bresson, Robert Capa, David Seymor, entre muitos outros.
Mais tarde quando se efectuavam as provas de contacto a forma demorada como olhávamos cada imagem criava uma memória visual e afectiva que jamais seria resgatada pelo tempo. Anos passados, bastava-nos olhar para uma prova em centenas para saber exactamente onde se encontrava a fotografia que se procurava e quais os sentimentos que experimentámos na altura.
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